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Numa altura em que vão surgindo variantes do vírus SARS-CoV-2, a tecnologia biométrica também se adapta à nova realidade. Já existem sistemas de reconhecimento facial capazes de identificar pessoas que estejam a utilizar máscaras de proteção individual.
A pandemia provocada pelo vírus SARS-CoV-2 mudou o mundo como o conhecíamos e veio transformar radicalmente as nossas vidas, trazendo novos desafios ao nosso quotidiano. Desde então, à medida que a utilização de máscaras se tornou mais frequente, seria de esperar que isso representasse um grande desafio para as tecnologias de reconhecimento facial.
Foi assim que, no passado mês de julho, o National Institute of Standards and Technology (NIST) realizou um estudo preliminar em 89 algoritmos comerciais de reconhecimento facial, cujos resultados indicaram uma taxa de erro de 5 a 50% na correspondência de rostos com máscaras aplicadas digitalmente a fotos da mesma pessoa.
Efetivamente, a utilização de máscara veio dificultar a identificação facial das pessoas, tendo conduzido a um aumento de falsas identificações faciais, o que trouxe sérios problemas na investigação criminal.
O volta-face
No início de 2021, a empresa japonesa NEC produziu a NeoFace Watch. Esta aplicação baseia-se na identificação facial em tempo real, e é capaz de identificar, com rigor, pessoas que estejam a utilizar máscara, com recurso aos traços do rosto que não estão cobertos pela máscara.
Segundo a mesma empresa, o software apresenta uma precisão acima de 99,9%, e a identificação demora apenas um segundo.
Esta inovação tecnológica promete auxiliar as forças de segurança, sendo já utilizada pela polícia metropolitana de Londres, para reconhecer pessoas dispersas numa multidão. No sector do turismo, em particular na aviação comercial, a Lufthansa e a Swiss International Airlines também já utilizam esta aplicação.
NeoFace Watch enquanto agente de saúde pública
Com o NeoFace Watch, a empresa NEC também pretende agilizar os pagamentos em caixas multibanco com recurso a esta nova tecnologia. Uma vez que a transmissão do novo coronavírus também se dá por via do contacto indireto, o reconhecimento facial com a máscara posta é a alternativa mais segura, pois a pessoa não retira a máscara, nem toca nas teclas do caixa automático. Em Tóquio, já estão a experimentar este sistema revolucionário. Atente-se que o Japão já utilizava o reconhecimento facial em caixas multibanco antes da pandemia.
A controvérsia do reconhecimento facial
Tratando-se de uma tecnologia biométrica que carece de fundamentação legal rigorosa, o reconhecimento facial permanece controverso. Existem preocupações acrescidas relacionadas com a privacidade das pessoas, além de dúvidas acerca da forma como estes algoritmos identificam claramente os tons de pele mais escuros.
O que é certo é que a Inteligência Artificial veio para ficar.


